11/07/2004 13:35
Diário de um cão!!!
1ª semana - Hoje completei uma semana de vida. Que
alegria ter chegado a este mundo!
1 mês - Minha mamãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar!
2 meses - Hoje me separaram de minha mamãe. Ela
estava muito inquieta e, com seu olhar, disse-me
adeus. Espero que a minha nova "família humana " cuide
tão bem de mim como ela o fez.
4 meses - Cresci rápido; tudo me chama a atenção. Há
várias crianças na casa e para mim são como
"irmãozinhos". Somos muito brincalhões, eles me puxam
o rabo e eu os mordo de brincadeira.
5 meses - Hoje me deram uma bronca. Minha dona se
incomodou porque fiz "pipi" dentro de casa. Mas nunca
me haviam ensinado onde deveria fazê-lo.Além do que,
durmo no hall de entrada. Não deu para agüentar.
8 meses - Sou um cão feliz! Tenho o calor de um lar;
sinto-me tão seguro, tão protegido... Acho que a minha
família humana me ama e me consente muitas coisas. O
pátio é todinho para mim e, às vezes, me excedo,
cavando na terra como meus antepassados, os lobos
quando escondiam a comida. Nunca me educam.
Deve ser correto tudo o que faço.
12 meses - Hoje completo um ano. Sou um cão adulto.
Meus donos dizem que cresci mais do que eles
esperavam. Que orgulho devem ter de mim!
13 meses - Hoje me acorrentaram e fico quase sem
poder movimentar-me até onde tem um raio de sol ou
quando quero alguma sombra. Dizem que vão me observar
e que sou um ingrato. Não compreendo nada do que está
acontecendo.
15 meses - Já nada é igual... Moro na varanda.
Sinto-me muito só.
Minha família já não me quer! Às vezes esquecem que
tenho fome e sede.
Quando chove, não tenho teto que me abrigue...
16 meses - Hoje me desceram da varanda.
Estou certo
de que minha família me perdoou Eu fiquei tão
contente que pulava com gosto. Meu rabo parecia um
ventilador. Além disso, vão levar-me a passear em sua
companhia!
Nos direcionamos para a rodovia e, de repente,
pararam o automóvel.
Abriram a porta e eu desci feliz, pensando que
passaríamos nosso dia no campo. Não compreendo porque
fecharam a porta e se foram. "Ouçam, Esperem!"
lati...se esqueceram de mim... Corri atrás do carro
com todas as minhas forcas.
Minha angústia crescia ao perceber que quase perdia o
fôlego e eles não paravam.
Haviam me esquecido
17 meses - Procurei em vão achar o caminho de volta
ao lar. Estou e sinto-me perdido! No meu caminho
existem pessoas de bom coração que me olham com
tristeza e me dão algum alimento. Eu lhes agradeço com
o meu olhar, desde o fundo de minh´alma. Eu gostaria
que me adotassem: seria leal como ninguém! Mas
somente dizem: "pobre cãozinho, deve ter se perdido."
18 meses - Um dia destes, passei perto de uma escola
e vi muitas crianças e jovens como meus
"irmãozinhos". Aproximei-me e um grupo deles, rindo,
me jogou uma chuva de pedras "para ver quem tinha
melhor pontaria".
Uma dessas pedras feriu-me o olho e desde então, não
enxergo com ele.
19 meses - Parece mentira Quando estava mais bonito,
tinham compaixão de mim. Já estou muito fraco; meu
aspecto mudou. Perdi o meu olho e as pessoas me
mostram a vassoura quando pretendo deitar-me num
pequena sombra.
20 meses - Quase não posso mover-me! Hoje, ao tentar
atravessar a rua por onde passam os carros, um me
jogou! Eu estava no lugar seguro chamado "calçada",
mas nunca esquecerei o olhar de satisfação do
condutor, que até se vangloriou por acertar-me.
Quisera que tivesse matado! Mas só me deslocou as
cadeiras! A dor e terrível! Minhas patas traseiras não
me obedecem e com dificuldade arrastei-me até a relva,
na beira do caminho.
Faz dez dias que estou embaixo do sol, da chuva, do
frio, sem comer. Já não posso mexer-me! A dor é
insuportável! Sinto-me muito mal; fiquei num lugar
úmido e parece que até o meu pelo esta caindo...
Algumas pessoas passam e nem me vêem; outras dizem:
"não chegue perto".Já estou quase inconsciente; mas
alguma força estranha me faz abrir os olhos. A doçura
de sua voz me fez reagir. "Pobre cãozinho, olha como
te deixaram", dizia... junto com ela estava um senhor
de avental branco.
Começou a tocar-me e disse: "Sinto muito senhora, mas
este cão já não tem remédio". É melhor que pare de
sofrer". A gentil dama, com as lágrimas rolando pelo
rosto, concordou.
Como pude, mexi o rabo e olhei-a, agradecendo-lhe que
me ajudasse a descansar. Somente senti a picada da
injeção e dormi para sempre, pensando em porque tive
que nascer se ninguém me queria...
Ajude a abrir a consciência dos ignorantes e, assim,
poder acabar com os maus tratos aos animais,
especialmente com o problema de cães de rua.
Estou ouvindo: Equalize - Pitty
enviada por MaThEuS
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